6 dicas para mediar contos clássicos

Passados de geração para geração, os contos clássicos fazem parte do nosso imaginário coletivo e do nosso repertório de histórias. Em suas versões mais tradicionais, por vezes amedrontadoras e polêmicas, sofrem muitas acusações e geram querelas e discordâncias. Fica a questão: qual a importância dos contos clássicos? Como mediar essas leituras com os pequenos?

 

O Blog da Aletria, que adora um belo dum conto tradicional, foi atrás de especialistas. Escutamos com cuidado, lemos e prestamos bastante atenção para tentar responder a pergunta: O que é importante saber para mediar a leitura de contos tradicionais? Responder isso não é uma tarefa exatamente fácil. As respostas podem ser muitas e essa discussão dá um pano pra manga comprida! Mas conseguimos organizar para você, querido leitor, 6 pontos importantes para considerar na hora de mediar a leitura de contos clássicos para os pequenos. Então lá vai:

Ilustração de Carl Offterdinger em Cinderela. Final do século XIX.

 

1) Para mediar contos clássicos, entenda que um processo de mediação de leitura é um processo de troca. Não se trata apenas de adultos ensinando e crianças aprendendo, mas sim de um ato bidirecional, um momento de encontro. A leitura mediada é um trabalho de parceria entre leitor, livro e mediador. Em certas ocasiões, é preciso permanecer em silêncio ou se ocultar para deixar que livro e leitor conversem.

Ilustração de Gustave Doré em Cinderela. 1867.

 

2)  Para mediar contos clássicos, lembre-se que a vida não é feita apenas de sentimentos alegres e divertidos, mas também de sentimentos considerados negativos como: raiva, frustração e tristeza, muito presentes nos contos clássicos. Temos, em geral, grande dificuldade de expressar esses sentimentos. É comum que essas emoções fiquem silenciadas. Valoriza-se muito  pessoas sempre amáveis e alegres, mas todos (incluindo os pequenos!) temos dias e sentimentos nebulosos,momentos de ogro, bruxa, lobo. Admitir isso nos dá consciência e maturidade.

Ilustração de Branca de Neve, por Carl Offterdinger. Final do século XIX.

 

 

3) Para mediar contos clássicos, saiba que esses contos, ao trazerem sentimentos dolorosos, ajudam as crianças a simbolizar, gerir e elaborar essas emoções, o que é reconfortante. Muitas vezes, com a melhor das intenções, procuramos afastar os pequenos de sentimentos difíceis. A dor não elaborada, porém, pode virar um largo sofrimento silencioso, por nunca termos falado sobre ela. As palavras constroem cenários onde a criança pode organizar seus sentimentos e, com o tempo, amadurecê-los. O papel do mediador/educador é ajudar a criança a se expressar. Mostre que você a compreende, que certa vez um determinado personagem se sentiu igual a ela… Se o patinho feio tivesse perdido a esperança, jamais teria virado um belo e admirado cisne!

Ilustração de João e Maria, por Carl Offterdinger. Final do século XIX.

 

 

4) Para mediar contos clássicos, não se preocupe tanto em modificar seus finais, adaptando-os a propostas moralmente mais aceitáveis. É importante lembrar que para crescer emocionalmente você tem que superar as dificuldades, não evitá-las ou adoçá-las.

Ilustração de João e Maria, por Adrian Ludwig Richter. Ano: 1842.

 

 

5) Para mediar contos clássicos, tenha em vista que as versões que se popularizaram trazem comumente lutas do bem versus o mal. Para além das discussões sobre o que é o bem, o que é o mal e o que os simboliza, histórias onde o bem vence o mal ajudam os pequenos a resolver conflitos internos relacionados ao seu senso de justiça e ao sentimento de esperança.

Ilustração de João e Maria, por Arthur Rackham. Ano: 1909.

 

6) Para mediar contos clássicos, entenda que  a leitura desses contos não é apenas uma maneira de dar lições de moral. A literatura é uma arte. Como arte, não tem como função ensinar às crianças qual a maneira certa de se comportar, mas sim de oferecê-las um encontro com a dimensão imaginária por meio da linguagem.  A leitura dos contos clássicos expande os universos simbólicos e cria um ambiente de identificação emocional que ajuda a criança a se entender, compreender os outros e amadurecer enquanto pessoa. E isso vale para todos: pequenos, médios e grandes!

 

 

 

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