5 livros infantis com tangolomangos

(O texto de introdução desse post foi editado a partir de pesquisa de Liane Castro, professora da Faculdade de Educação da UFBA, compartilhada em seu blog oficinasdealfabetizacao.blogspot.com.br).

 

O tangolomango é uma cantiga popular ou uma forma tradicional da parlenda, uma espécie de parlenda longa, com estrutura decrescente. Como parlenda, pode ser considerada como mnemônica, parlenda para aprender e memorizar sequências, ou como lenga-lenga, parlenda que traz certa repetição, certo nonsense e que parece nunca acabar.

 

Versões de tangolomangos foram encontradas em Portugal e na Espanha e, segundo Câmara Cascudo, é de lá que se originam. Há várias versões de tangolomangos na tradição oral, contadas ou cantadas.

 

 

O Tango-Lo-Mango

Versão recolhida por Sílvio Romero

 

Eram nove irmãs numa casa,

Uma foi fazer biscoito;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão oito.

 

Destas oito, meu bem, que ficaram

Uma foi amolar canivete;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão sete.

 

Destas sete, meu bem, que ficaram

Uma foi falar francês;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão seis.

 

Destas seis, meu bem, que ficaram

Uma foi pelar um pinto;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão cinco.

 

Destas cinco, meu bem que ficaram

Uma foi para o teatro;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão quatro.

 

Destas quatro, meu bem, que ficaram

Uma casou c’um português;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão três.

 

Destas três, meu bem, que ficaram

Uma foi passear nas ruas;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão duas.

 

Destas duas, meu bem, que ficaram

Uma não fez cousa alguma;

Deu o tango-lo-mango nela,

Não ficaram senão uma.

 

Essa uma, meu bem, que ficou

Meteu-se a comer feijão;

Deu o tango-lo-mango nela,

Acabou-se a geração.

 

Os seus versos ritmados e rimados constituem uma narrativa e, geralmente, em cada estrofe, diminui-se um personagem acometido por algum malefício, até que reste nenhum! Por vezes, porém, outros desfechos aparecem, especialmente nas reapropriações da estrutura do tangolomango por autores diversos. Isso porque, se há muitas versões populares de tangolomangos, também há os tangolomangos autorais, apresentados, por vezes, em belos livros ilustrados.

 

Confira abaixo a lista que o Blog da Aletria preparou com 5 livros que, inspirados nos tradicionais tangolomangos, trazem contagens regressivas em divertidas histórias ilustradas.

 

 

 

 

1) Chá das dez (Ed. Aletria)

Autor: Celso Sisto

Ilustrações: Duke

 

Eram dez velhinhas bem arrumadinhas que saíram juntas para um chá. Mas, até chegar ao destino final, essas velhinhas passarão por várias situações inusitadas. Um engraçado tangolomango de Celso Sisto, grande autor e contador de histórias, com ilustrações do premiado chargista Duke.

2) Dez sacizinhos (Ed. Paulinas)

Autora: Tatiana Belinky

Ilustrações: Roberto Weigand

 

Eram dez simpáticos sacizinhos que vão passando por maus bocados, até sobrar (pobrezinhos!) nenhum? O ilustrador Roberto Weigand ganhou o Prêmio Jabuti com as ilustrações desse livro, que trazem um misterioso personagem no meio dos sacizinhos, a Cuca!

3) Dez patinhos (Cia das Letrinhas)

Autora e ilustradora: Graça Lima

 

Eram dez patinhos (tão fofiiinhos!) que distraídos e curiosos saem para descobrir o que existe por ali. A cada virada de página, mas um patinho fica pra trás! Ai ai ai, que patinhos mais danados!

4) Todos no Sofá (Livros Horizonte)

Autora: Luísa Soares

Ilustrações: Pedro Leitão

 

Eram 10 amigos (menino, elefante, girafa e mais um bocado de bichos!) curtindo um sofá. Devia ser domingo. Sofá é bom, né? Mas estava um tanto apertado. Um a um os bichos vão pulando do sofá. Quem vai ficar por último?

5) Eram cinco (Cosac Naify)

Autor: Ernst Jandl

Ilustrações: Norman Junge

 

Eram cinco desconhecidos em uma sala de espera. Por trás de uma porta um mistério. Mas será que é um mistério mesmo? O que existe atrás dela? Esse livro não é propriamente um tangolomango, mas guarda referência diretas a essa tradição oral. Escrito pelo poeta concretista Ernst Jandl e ilustrado pelo artista plástico Norman Junge, o livro foi indicado ao prêmio de Literatura Infantil da Alemanha e ganhou o prêmio Bologna Ragazzi, da Feira de Livros Infantis de Bolonha.

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